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Quem é João Torres

O designer que decidiu desenhar processos comerciais.

João Torres sentado no escritório, com um tablet na mão e o notebook aberto na mesa

Resumo rápido: João Torres é designer de marcas desde 2016, fundador da ORDEM e especialista em processo comercial e vendas para designers. Mora em São José dos Campos (SP), é casado e pai de três filhos. Começou vendendo um logo de R$50 numa DM do Twitter, passou por identidade visual e estratégia de marca, fechou projetos de até R$50 mil e hoje trabalha 100% com processo comercial: conduz a consultoria da ORDEM e a call fechada de segunda-feira, e atua como closer em operações de venda high-ticket. É o criador do Design Thinking Comercial e do SAR (Sistema de Aquisição Recorrente), e escreve a newsletter ComercialPill.

Daqui pra baixo, quem escreve sou eu.

Um logo de R$50 numa DM do Twitter

Em 2016 eu estava no ensino médio e tinha uns 2 ou 3 mil seguidores no Twitter. Falava de política, mexia no Sony Vegas, no Premiere e no Photoshop. Um dia descobri o Illustrator e caí na bolha de design de logos.

Postei um tweet: “quero fazer um logo pra alguém, se tiver algum interessado me chama”. Um fotógrafo me chamou na DM e pagou R$50. Entreguei as versões em preto e branco, em PNG, pelo próprio chat do Twitter.

O segundo cliente foi uma pizzaria de Erechim: logo e carrosséis divulgando os sabores.

Alguma coisa destravou ali. Dá pra fazer dinheiro com isso. E se eu sou capaz de fazer uma venda, sou capaz de fazer mais que uma.

O primeiro boleto da minha vida adulta

Eu não tinha computador. Um amigo do ensino médio comprou um novo e ia vender o antigo. Pedi emprestado, e ele topou deixar comigo por R$200 por mês.

Esse foi o primeiro problema financeiro da minha vida, e o primeiro que me tirou o sono. Todo dinheiro dos logos de R$50 e R$100 ia pra essa parcela. Meu pior mês foi exatamente nessa época: faturei zero e tinha um boleto de R$200 que eu não conseguia pagar.

Com o primeiro dinheiro que sobrou, comprei um teclado de uns R$100 na Amazon achando que era mecânico. Era de gel. Tenho o vídeo da decepção até hoje.

Depois vieram outras fases: o medo de abrir o aplicativo do banco, aluguel pra pagar no mesmo dia sem dinheiro na conta, cliente atrasando pagamento. Conheço bem, por dentro, a instabilidade que os designers me contam nas calls.

Sem universidade pública, sem estágio, sem CLT

Eu queria fazer Economia e não passei em universidade pública. Fui aprovado em faculdades particulares, mas meus pais não podiam pagar a mensalidade. Nunca faltou nada em casa, só não tinha dinheiro pra curso.

Eu via colegas passando na faculdade e sendo chamados pra estágio, e me sentia fracassado. Precisei fazer a minha própria sorte, e o único caminho que eu enxergava era trabalhar online.

Minha carteira de trabalho está absolutamente vazia. Nunca contei com salário fixo, FGTS, seguro-desemprego ou herança.

Existem dois mercados de design no Brasil. Um deles a Nike procura por e-mail. Eu nunca estive nesse. Pra quem está no outro mercado, processo comercial não é muleta. É a única porta.

Do logo à estratégia, da estratégia ao comercial

Trabalhei em algumas agências e fiz os cursos de design mais conhecidos do mercado. Aprendi muito, mas o faturamento não subia. Eu chamava mais atenção de outros designers do que do cliente final.

Sempre que as coisas apertavam, eu fazia o que todo designer faz: atualizava o portfólio. Demorei pra perceber que era esforço no lugar errado.

Os saltos que mudaram a minha carreira foram de modelo de negócio, e não de técnica:

  1. Do logo pra identidade visual. Logo sozinho tem pouco valor agregado. Com identidade visual eu vendia mais caro e precisava de menos vendas.
  2. Da identidade visual pra estratégia de marca. Percebi que gerava mais valor escavando informação no diagnóstico do que no projeto gráfico. Eu nunca fui um designer graficamente fora da curva. Eu me destacava pela estratégia.
  3. Da estratégia pro comercial. Descobri que gostava mais de vender os projetos do que de entregá-los.

A primeira venda que eu fiz com consciência foi pra um personal trainer especializado em crossfit. A esposa dele entrou em contato e eu puxei o marido pra call também. Antes de falar de preço ou de layout, investiguei o projeto, os objetivos e o momento de vida dos dois. Vendi por R$3.000 e senti, pela primeira vez, que o processo tinha sido redondo.

Os maiores projetos que fechei depois disso foram dois de R$50 mil, ambos de desenho de processos. Um deles foi pra uma produtora de audiovisual que filma séries para grandes plataformas de streaming: o mapeamento de todo o processo de filmagem no Notion, vendido em duas ou três reuniões com as sócias.

Ao aprender a vender, percebi que o processo comercial é um sistema, e que alguém precisa desenhar esse sistema. Hoje eu trabalho 100% com isso e não crio mais projetos gráficos.

Os erros que mais me ensinaram

O cliente que pediu o dinheiro de volta. Ele não gostou da identidade visual, pediu pra refazer duas ou três vezes e depois quis o reembolso. Eu já tinha gastado o dinheiro. Pedi pra ele esperar e ele ameaçou me processar. Devolvi aos poucos, conforme vendia projetos novos. Foi ali que entendi que o relacionamento com o cliente começa na reunião de vendas, e não depois dela.

As propostas de R$100 mil a R$120 mil ignoradas. Eu mandava no WhatsApp, do jeito que o restaurante manda o cardápio. Ninguém compra projeto desse tamanho de quem se comporta como fornecedor.

O segundo projeto de R$50 mil, mal negociado. Vendi numa única reunião, com uma boa ancoragem. A cliente pediu pra pagar em cinco vezes de R$10 mil e eu aceitei como condição de fechamento na hora. Hoje eu teria recebido à vista ou em duas vezes.

Eu sofro, supero e vou pro próximo problema com muita facilidade. Me perguntaram uma vez qual foi a maior vergonha que eu passei trabalhando, e eu não lembrei de nenhuma. Não é porque não aconteceu.

Por que eu fundei a ORDEM

Quando eu tinha estúdio, sentia falta de alguém confiável me ajudando com vendas. Não achei. Então decidi ser essa pessoa, e em 2023 fundei a ORDEM.

Eu não quero saber mais design que os meus clientes. Quero que eles vendam o design que já sabem fazer.

O que mais mudou a minha carreira foram mentorias e consultorias: alguém mais experiente olhando pro meu negócio e dizendo “faz desse jeito”. Muitas vezes era uma coisa óbvia que eu não enxergava. É isso que eu tento ser pros meus consultorados. Hoje passo de 6 a 7 horas por dia em reunião, ouvindo problemas e desenhando soluções.

Também atuo como closer high-ticket em outras operações, além da ORDEM. É o meu laboratório: o que eu ensino, eu testo em call de verdade toda semana.

No que eu acredito

Autonomia é o centro de tudo. O que eu mais quero pros designers é que eles possam criar com liberdade. E um artista sem dinheiro não tem liberdade criativa. Tem menos meios.

Vendas é a habilidade que financia todas as outras. Todo criativo é um conglomerado de interesses. Os meus giram em torno de economia, finanças, investimentos e vendas, somados a design e arte. O Design Thinking Comercial nasceu desse cruzamento.

Eu não prometo faturamento. Prometo estrutura. E recomendo que você fuja de quem promete número.

O que cansa não é trabalhar demais. É trabalhar demais fazendo a coisa errada. Eu trabalho muito, porque negócio e vendas são laboriosos. Mas o esforço só vale quando está na coisa certa.

Você não precisa do projeto da sua vida aos 25. Precisa de um projeto que cumpra o papel daquele momento: o estúdio que permite morar sozinho, casar, ter o primeiro filho e começar a investir. Parte do sucesso comercial é definir o que sucesso significa pra você.

As pessoas aprendem mais com histórias do que com aulas. Por isso eu documento o que acontece na ORDEM, em vez de só dar aula.

Fora do trabalho

Sou católico e casei cedo. Hoje sou pai de três.

Trabalho de casa, coloco os filhos pra dormir e não trabalho no fim de semana. Tem dia que eu acordo às 3 ou 4 da manhã por vontade própria, porque tive uma ideia e quero colocar ela no mundo.

Sou introvertido e não gosto de aparecer. Se eu pudesse ficar quieto, eu ficaria. Produzo conteúdo porque ensinar sem distribuição não ajuda ninguém, e não basta ser bom e anônimo.

Gosto de relojoaria e tenho uma coleção pequena de relógios. Cuido do patrimônio com calma: poupança, renda fixa, ações. Um dia quero ter uma oficina de marcenaria.

Penso em desistir de empreender pelo menos uma vez por semana. Empreender é sobrecarga e responsabilidade, e quem erra é punido no caixa e em casa. Meu medo hoje não é quebrar. É trabalhar tanto que eu perca a infância dos meus filhos.

Ainda assim, sou extremamente feliz no meu casamento, com a minha família e com o meu trabalho. Ainda estou no começo, mas os avanços aparecem todo dia, e eu documento tudo no Instagram.

Onde acompanhar o meu trabalho

Perguntas frequentes

Quem é João Torres?

João Torres é designer de marcas desde 2016 e fundador da ORDEM, consultoria de Design Thinking Comercial para designers. É especialista em processo comercial, aquisição de clientes e reuniões de venda para estúdios e freelancers do mercado criativo.

O que João Torres faz hoje?

Conduz a consultoria da ORDEM e a call fechada de processo comercial de segunda-feira, às 12h, e atua como closer em operações de venda high-ticket. Não cria mais projetos gráficos.

João Torres é designer?

Sim. Começou em 2016 com logos, passou por identidade visual e estratégia de marca e hoje se define como designer de processo comercial.

Como falar com João Torres?

O caminho mais direto é a call fechada de segunda-feira: entre no grupo em ordem.cc/call. Também dá pra falar com o time pelo contato do site.


Quer me ver trabalhando? Essa segunda-feira, às 12h, eu conduzo a call fechada da ORDEM sobre processo comercial para designers. É gratuita e sem replay. Entre no grupo da call essa semana.

FNB → Foco no Business

João Torres

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